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O Banco Mundial publica o relatório "Hospital Governance in Latin America"

O Banco Mundial publica o relatório "Hospital Governance in Latin America"
27/03/2007 -

O Banco Mundial publicou o relatório “Hospital Governance in Latin America, Results from a Four Nation Survey” (Direcção Hospitalar na América Latina, resultados do estudo realizado em quatro países), um estudo cujo principal objectivo é identificar os diferentes tipos de estrutura dirigente nos hospitais da América Latina e a influência que têm no rendimento destes.

A publicação realizou-se com dados de 286 hospitais do México, Colômbia, Brasil e Argentina entre os anos 2002 e 2003. Para poder realizar este estudo foram analisados os principais conceitos das estatísticas descritivas realizadas nos hospitais, referentes ao tamanho, recursos humanos, produção, internamentos e custos dos mesmos. Através desta análise o relatório determina quatro tipos diferentes de organização hospitalar que se diferenciam pela forma de organização (público ou privado), a autoridade que os dirige (institucional ou independente), o grau de dependência orçamental e a facilidade que tem a autoridade que os dirige para tomar decisões.

O primeiro tipo de organização hospitalar que se descreve no relatório é denominada  “Orçamental” (Budgetary), e por ela regem-se 117 dos 286 hospitais que foram objecto de estudo. Este tipo de hospitais dependem de sub-unidades que pertencem a instituições públicas de onde provêm 65% dos internamentos.

Estas instituições públicas podem ser municipais, estatais (ou regionais) e federais, segundo cada país. Os dirigentes dos hospitais administrados segundo este tipo de organização têm um nível de decisão média de 2,5 sobre 7 no nível de decisões de direcção hospitalar.

O segundo tipo de organização hospitalar denomina-se  “Autónoma” (Autonomized), e a este grupo pertencem 45 hospitais dos 286 estudados. Este tipo de hospitais caracterizam-se por serem entidades públicas cuja direcção é independente e própria do hospital. Os directores de hospitais que pertencem a este tipo de organização têm uma autoridade média de 2,7 sobre 7 no nível de decisões de direcção hospitalar.

O terceiro tipo de organização corresponde aos hospitais corporativos (corporate), que se caracterizam por terem uma direcção privada ainda que pertençam a uma unidade de outra instituição, que pode ser não lucrativa ou com fins lucrativos. O número total de hospitais que correspondem a este tipo de organização é de 78 sobre os 286 hospitais que participaram no estudo.

O último tipo de organização hospitalar é denominado privado (private). A direcção dos hospitais que pertencem a este modo de organização não depende de nenhum controlo institucional superior e 95% dos internamentos que o hospital recebe são privados. Os directores dos hospitais administrados, segundo este tipo de organização, têm um nível de decisão médio de 3 sobre 7 no nível de decisões de direcção hospitalar.

O estudo determina que os hospitais do México e da Argentina  se podem  classificar como hospitais que se regem por um tipo de organização orçamental, os hospitais do Brasil por um tipo de organização corporativa, enquanto que a maioria dos hospitais da Colômbia regem-se por tipos de organização autónoma e privada.

Finalmente, o estudo conclui que os hospitais públicos são menos produtivos e menos eficientes do que os privados já que o tipo de hospitais com maiores rácios de ocupação (como os públicos) estão associados a um tratamento ineficiente. Do mesmo modo, também se conclui que uma grande dependência dos orçamentos públicos contribui para admissões hospitalares desnecessárias e a uma duração  excessiva dos dias de internamento.

O estudo determina, ainda, que a direcção dos hospitais do tipo orçamental tem maiores dificuldades para realizar o seu trabalho ao ter demasiados objectivos que reduzem  a efectividade da sua liderança. Por outro lado, o tipo de organização autónoma possui uma serie de vantagens em termos de tomada de decisões, relação com os principais intervenientes, qualidade dos serviços clínicos e eficiência.

Deste modo, o relatório concluiu que uma associação da organização autónoma com uma organização privada é sinónimo de  um maior rendimento.